Um ponto que chama bastante atenção é o constante apelo a isenção de IR como diferencial dos fundos imobiliários.
Primeiramente, precisamos saber por que os aplicadores de fundos possuem este incentivo tributário.
Fundos não são seres mágicos que se mantém sozinhos em funcionamento. Normalmente, requerem a atenção de uma Administradora de Recursos e de uma Gestora de Recursos, onde uma faz as contas e a outra determina a estratégia de investimentos.
Dito isso, essas empresas possuem custos para manutenção dos Fundos de Investimentos Imobiliários, e cobram dos fundos, como seus clientes, uma taxa de administração anual. As taxas variam, de 0,3% ao ano até números que batem próximos aos 2% ao ano, normalmente sobre o patrimônio líquido dos fundos.
O percentual das taxas de administração e gestão parece mínimo, considerando os monstruosos 27,5% de alíquota do Imposto de Renda para pessoa física, ou os 15% de Imposto sobre ganho de capital nas vendas de imóveis com lucro.
No entanto, se você considerar que o fundo te paga um rendimento anual que oscila em média entre 6% a 10%, e que as taxas de manutenção do fundo ficam em torno de 0,3% a 2% ao ano, você pode considerar que está pagando um pedágio de 3% até 33% do seu retorno anual para a administradora do fundo, então, fique atento a estas taxas e quanto elas representam sobre os seus rendimentos.
Ainda, estas taxas são cobradas baseadas na avaliação patrimonial dos fundos, que em períodos de forte valorização dos imóveis, como ocorreu nos últimos anos, pode fazer com que a taxa cresça sobre a renda de forma desproporcional, acima da inflação.
Já no caso do seu aluguel direto, você pagará o imposto sempre sobre o rendimento recebido, independente da variação do seu patrimônio. Você apenas pagará imposto sobre o aumento do seu patrimônio, no caso de venda de seu imóvel.
Outro ponto que vale ressaltar, é que a Isenção é sobre a renda, e não sobre o Ganho de Capital na venda da cota do fundo, ou seja, caso você venda sua cota, pagará 15% de IR sobre o lucro. Portanto, neste caso, os fundos e o investimento direto são iguaizinhos.
Da mesma forma, com o planejamento tributário correto e adotando as melhores práticas de investimento imobiliário, você poderá economizar bastante no tributo, e ter um cenário tão vantajoso quanto o que a isenção tributária dos fundos oferece no investimento direto.
Novamente, o critério para o seu investimento deve levar em conta qual a estratégia que você pretende seguir e qual o acesso que você tem a investimentos mais sofisticados. Caso não tenha a capacidade financeira ou o desejo de conduzir seus investimentos imobiliários de forma direta, vale a pena deixar os fundos fazerem o trabalho por você.
Este texto faz parte da série sobre investimento imobiliário. Para acompanhar todos os artigos, leia este post.
7 mitos sobre Fundos de Investimentos Imobiliários







